Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

notas sobre a inteligência feminina no cinema

O cinema de fato reflete a crise da inteligência feminina pós-anos 60. Já tínhamos o estereótipo da mulher de personalidade forte, como as adoráveis jornalistas interpretadas por Rosalind Russel e Jean Arthur em His Girl Friday e Mr. Smith goes to Washington, respectivamente, ou a espiã Greta Garbo em Ninotchka: mulheres capazes de fazer tudo o que um homem fazia, porém sem perder aquela graça e aquela auto-consciência discreta da superioridade que seu "eterno feminino" as conferia. A moderna auto-afirmação feminina através da realização profissional acabou com as incríveis personagens aristocráticas mimadas, imortalizadas por Claudette Colbert (It happenned on that night) e Katherine Hepburn (Holyday, Bringing up Baby), e com as adoráveis e clever-witted donas-de-casa de Myrna Loy (O melhor ano de nossas vidas, Mr. Blandings Builds His Dream House) e Greer Garson (Mrs. Miniver). Sem falar que o complexo carreirista, aliado ao sexismo da liberação (época em que as pin-ups em salto alto dos old advertisements de eletrodomésticos foram substituídas pelas "progressistas" de sandálias) acabaram gerando aberrações como a energúmena Jane Fonda, posando para fotos em tanques de guerra, e que tem como correspondente moderna a igualmente chata Angelina Jolie, posando para fotos com africanos famintos e camisetinha da ONU. A inteligência feminina parece ter sofrido um colapso irremediável, e nossas "workings girls", bissexuais, e femmes fatales jamais serão como as de antigamente.

12 brado(s):

Mozer Anjos! disse...

Evelyn!! Mas o Jolie é bonita! Que bocaça! uhahuauhahua!!!

Bom, isso ocorre na música também. A sonora plasticidade de uma Maria Creuza, de uma Elizeth Cardoso, de uma Elis - essa compostagem interpretativa se tornou o quê? Uma Zelia Duncan, uma Maria Rita? A mulherada que fala de MPB no Faustão? Vixi.

Jean-Philip disse...

Muito interessante. Aliás, outro dia discuti com um amigo sobre como essas mulheres eram mais interessantes - o exemplo também foi Jean Arthur, mas em Only Angels Have Wings.

Simone Petry disse...

Aliás bem lembrada pelo Mozer a questão "mulherada" na música. Quando estava lendo o post pensei: isso é Madonna em relação a música, mas não precisamos ir muito longe mesmo, quando Maria Rita surgiu, continuemos falando de comportamento, pensei que a "compostagem interpretativa" voltava, mas o que é hoje a moçoila engolida pela midia, loira e quase fashion...certamente refletirá no som.
Ainda sou muito mais as desengonçadas (com todo respeito) personagens de Meg Ryan ... só para voltar a discussão cinema.

bj Eve

Anônimo disse...

Ei, Evelyn, parabéns por esse escrito. Poucas vezes vi algo que retrata com lucidez o como as mulheres estão a se mostrar. Ri muito ao ler '"progressistas" de sandálias"'. Abraços!
Carla

carolina disse...

pensar em inteligência feminina é pensar em inteligência ou em posturas? as coisas estão interligadas mas, pensar no termo "inteligência feminina" me dá vontade de ser menino...

Edson Junior disse...

E aquela tal Jamie Lee Curtis? Deus nos livre;-)

Guilherme disse...

Jamie Lee Curtiss é homem.

Guilherme disse...

P.s.: Espero que o Jean não leia o "acima".

hermenauta disse...

É off topic? Não é off topic? Não sei, deixo ao seu julgamento. :)

Mas eu estou meio besta com uma atriz brasileira chamada Alice Braga. Ela fez um papel (que eu considerei) menor em "Cidade de Deus" e de repente, não mais que de repente, parece estar em todos os lugares: contracena em Will Smith em "I am Legend" e vai estrelar "Blindness", a adaptação do "Ensaio sobre a Cegueira" para o cinema. O currículo dela no IMDB é intrigante.

Enfim, como realmente ainda não vi nenhum outro filme onde ela atuou a não ser o próprio CD, não tenho como afirmar nada sobre a performance dela nas telas, mas parece que nos bastidores ela é fenomenal. Inclusive ela tem uma pose de pin-up para a Variety que é uma gracinha. :)

Hermenauta disse...

Hummm....update:

Descobri que la Alice é sobrinha de Sônia Braga, o que deve ter um certo poder abridor de portas nas indústrias cinematográficas daqui e d´alhures. Isto retira 73,7% do impacto que sua carreira até agora me causou, confesso.

E a pin-up não é na Variety, claro, mas sim na Vanity Fair. Eu não sou bom nisso.

livia soares disse...

Que beleza, Evelyn!
Vc falou sobre algo que eu sentia e não sabia como expressar.
O feminismo e os ativismos em geral estão acabando com as mulheres... só depois de ler duas vezes a sua postagem, eu me dei conta de que, já há algum tempo, eu olho todas as capas de DVD da locadora e, quando vou escolher, saio com dois ou três filmes dos anos 1950 pra trás. As "progressistas de sandálias" empestearam quase tudo que se faz hoje. Aliás, sugiro que vc escreva sobre algum filme recente de que tenha gostado... se é que existe isso.
Um abraço.

adam disse...

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