Quinta-feira, Outubro 07, 2010

The life and death of Colonel Blimp


Há um momento neste grande filme da dupla Powell e Pressburguer em que o general alemão diz ao seu amigo Clive Candy que o empecilho de suas operações militares residia no fato de que ele havia sido durante toda vida "educado para ser um sporstman na guerra e na paz." E a beleza toda do filme reside justamente no contraste - ilustrado nesta cena de reencontro entre os generais cuja amizade resistira a duas guerras - entre a nobre naivité do general inglês e o trágico realismo de seu amigo alemão. O primeiro imaginava o mundo como um gigantesco salão de chá, como se a guerra se tratasse de um símile da resolução de conflito travada em um elegante duelo entre cavalheiros, enquanto o segundo exergava a guerra em seu fundamento absurdo e diabólico, em que os cavalheiros deveriam tornar-se igualmente diabólicos caso quisessem vencer o inimigo.

Como Dom Quixote e Sancho Pança, a ilusão nobre de um e o realismo árido de outro experimentam uma espécie de compensação mútua. Assim como Dom Quixote desejava viver os romances de cavalaria dentro de um mundo insípido, Clive Candy buscava aplicar a etiqueta cavalheiresca de uma belle epoche em tempos bárbaros, naivité que parece ser vista com admiração pelo amigo realista como um esforço supremo e derradeiro da nobreza aristocrática de espírito em se conservar incólume diante de um mundo que se degenera.

3 brado(s):

Eugenio Hoch Junior disse...

Atualizou?!!! Agora vou ler com mais calma...

evelyn disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
evelyn disse...

Oi Eugênio, bom ver vc por aqui! Pois é, resolvi que vou aparecer vez ou outra, não espere assiduidade. =P

Como andam as coisas nas cartoons da vida? E a família folha? =P

Saudades de ti!

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