
Há um momento neste grande filme da dupla Powell e Pressburguer em que o general alemão diz ao seu amigo Clive Candy que o empecilho de suas operações militares residia no fato de que ele havia sido durante toda vida "educado para ser um sporstman na guerra e na paz." E a beleza toda do filme reside justamente no contraste - ilustrado nesta cena de reencontro entre os generais cuja amizade resistira a duas guerras - entre a nobre naivité do general inglês e o trágico realismo de seu amigo alemão. O primeiro imaginava o mundo como um gigantesco salão de chá, como se a guerra se tratasse de um símile da resolução de conflito travada em um elegante duelo entre cavalheiros, enquanto o segundo exergava a guerra em seu fundamento absurdo e diabólico, em que os cavalheiros deveriam tornar-se igualmente diabólicos caso quisessem vencer o inimigo.
Como Dom Quixote e Sancho Pança, a ilusão nobre de um e o realismo árido de outro experimentam uma espécie de compensação mútua. Assim como Dom Quixote desejava viver os romances de cavalaria dentro de um mundo insípido, Clive Candy buscava aplicar a etiqueta cavalheiresca de uma belle epoche em tempos bárbaros, naivité que parece ser vista com admiração pelo amigo realista como um esforço supremo e derradeiro da nobreza aristocrática de espírito em se conservar incólume diante de um mundo que se degenera.
3 brado(s):
Atualizou?!!! Agora vou ler com mais calma...
Oi Eugênio, bom ver vc por aqui! Pois é, resolvi que vou aparecer vez ou outra, não espere assiduidade. =P
Como andam as coisas nas cartoons da vida? E a família folha? =P
Saudades de ti!
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